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Ruralistas dominam Comissão de Meio Ambiente da Câmara

6/3/2009

Tradicional reduto de ambientalistas de todos os matizes, a Comissão de Meio Ambiente da Câmara será dominada neste ano pela bancada ruralista.  Na Comissão da Agricultura, ninho de ruralistas comandados por deputados da região Centro-Sul, um ruralista eleito pela Amazônia será o vice-presidente.

A estratégia da bancada parlamentar que defende os interesses do agronegócio é levar os temas mais relevantes da agenda ambiental para discussões na Comissão da Agricultura e dominar as reuniões do Meio Ambiente.  A tática será facilitada pela ausência de alguns ambientalistas nos debates.  A saída dos tucanos Ricardo Trípoli (SP), Nilson Pinto (PA) e Mendes Thame (SP), além do petista Iran Barbosa (SE) e do pemedebista Marcelo Almeida (PR), integrantes da comissão até este ano, enfraqueceu a posição da bancada ambientalista.

Motivo de bate-boca público entre os ministros Carlos Minc e Reinhold Stephanes, a questão ambiental tem sido pivô de duros embates e enfrentamentos no Congresso.  Neste ano, os deputados devem votar a reforma do Código Florestal e avaliar os zoneamentos ecológico-econômicos dos Estados.  Criado em 1965, o código aguarda a reformulação há quase uma década.  As alterações não avançaram até agora justamente por falta de consenso entre as duas bancadas.  Mas a mudança na correlação das forças políticas deve acelerar a reforma.  "A questão ambiental está travando o desenvolvimento do país", diz o novo vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Marcos Montes (DEM-MG).  Pecuarista da região de Uberlândia, Montes já presidiu a Comissão da Agricultura em 2007.  "Somos os mais interessados em preservar, mas o Código Florestal é retrógrado.  Precisamos de mais proteção com mais produção".

Segundo ele, há cinco pontos em "comum acordo" com Minc e Stephanes para reformar o código: incluir as áreas de preservação permanente (APPs) no cálculo da reserva legal obrigatória, blindagem das áreas de produção consolidadas, compensação de reflorestamento em áreas fora da bacia hidrográfica ou do Estado onde está a propriedade e a realização de zoneamentos econômico-ecológicos.

Eleito vice-presidente na Comissão da Agricultura, o deputado Wandenkolk Gonçalves (PSDB-PA) defende o projeto de "flexibilização" da reserva legal.  Agrônomo, o ruralista quer permitir o plantio de espécies exóticas (cacau, dendê, pinhão manso) em até 50% das áreas degradadas na Amazônia.  "A questão ambiental veio para ficar, mas a discussão, agora, vai ter outro viés", anuncia.  "Não queremos atropelar ninguém nem espero que vire um embate palanqueiro, mas a economia está ficando engessada e jogam tudo nas costas dos amazônidas".

Novo presidente da Comissão de Meio Ambiente, o deputado tucano Roberto Rocha (MA) tem forte ligações com a pecuária, mas afirma que tentará manter o equilíbrio entre as duas bancadas.  Filho do ex-governador maranhense Luiz Rocha, o deputado diz que o desafio político é produzir mais e proteger mais.  "Não podem prevalecer os interesses de grupos", avisa.  "Mas não tenho dificuldade em decidir em favor da maioria, mesmo que a minoria seja barulhenta e organizada", afirma, em referência direta aos ambientalistas.  Rocha promete "limpar a pauta" da comissão ao colocar para votar a reforma do Código Florestal.  "É polêmico, mas temos que votar".

 Local: São Paulo - SP
Fonte: Valor Econômico
Link:
http://www.valor.com.br/



 
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jonathan disse:
20/3/2009

realmente é complicado estabelecer um acordo entre as duas partes, ainda mais agora que a comissão tem em sua composição maioria ruralistas.

 

CHRISTIAN GASPAROTTO disse:
31/5/2009

Creio verdadeiramente que a nova e moderna forma de colonialismo dos países ricos sobre os países pobres ou em desenvolvimento, ganhou uma nova roupagem; vindo agora através do meio ambiente, ou seja, a preocupação não é ambiental, mas sim de mercado. E infelizmente vemos brasileiros ajudarem a prejudicar o próprio País, dando ouvidos à aqueles que não tem a mínima estatura moral para nos questionarem pois não tem nenhum ativo ambiental, mas somente passivo, que são os países desenvolvidos, ou “ricos”. Por que então que se criam reservas indígenas monstruosas ou parques ecológicos em áreas onde comprovadamente existam minerais em seu subsolo, de grande valor econômico e estratégico para a nação? O meio ambiente é importante? Sim, claro que é, mas precisamos de uma ecologia que considere os aspectos humanos, colocando o homem sempre à frente de tudo, respeitando desbravadores que vieram para a Amazônia convocados pelo próprio governo federal na década de 70, e fizeram de Mato Grosso por exemplo, modelo mundial de produção agrícola e pecuária. Porque não comecemos por reflorestar os morros cariocas, onde hoje existem inúmeras favelas tais como a da Rocinha, Morro do Pavão, Pavãozinho, Complexo do Alemão e outras mais, e olha que não são poucas! Porque não comecemos por despoluir a Baía de Guanabara, Lagoa Rodrigo de Freitas (também no Rio de Janeiro)? Também temos o fétido Rio Pinheiros e Tiête em São Paulo. Mas lamentavelmente quando se fala em meio ambiente, voltam-se os olhos para o quintal do vizinho e lembram tão somente de árvores, mais precisamente da Amazônia, por pura questão de mercadológica, esta que representa 62% do território nacional. A causa comove, ainda mais quando "malandrosamente" os noticiários jornalísticos sempre mencionam os desmatamentos em campos de futebol (área equivalente em tantos campos de futebol). E quando a causa comove, as ONGs incumbidas de nos engessar, arrecadam de seus adeptos bilhões de dólares, tornando-se um grande e lucrativo negócio. Já roubaram nosso Pau Brasil, nosso ouro, nossa borracha, nos travaram com empréstimos até a pouco tempo atolados no FMI, e agora quando achamos que daríamos nosso grito de liberdade, quando nos tornamos um dos maiores credores dos Estados Unidos e emprestamos ao FMI (Fundo Monetário), eles arrumaram nova tônica, MEIO AMBIENTE!!!

 

Danilo Tiago da Chaga disse:
18/6/2009

É engraçado como certas pessoas visando defender os interesses de seus grupos abstêm-se da imparcialidade e adotam uma espécie de "tapa-olho" para defender causas que no futuro só irão nos prejudicar mais. É cômico e até sarcástico defender os interesses do agronegócio em detrimento do bem-estar humano (diretamente relacionado ao meio-ambiente e as mudanças climáticas). Muito me aguça a curiosidade essa modalidade de "ecologia que considere aspectos humanos". Digamos, uma nova roupagem para a "ecologia que defenda os interesses humanos". O que tira todo o crédito desse ramo do saber, como levar em conta apenas os interesses do homem, se este é parte do meio ambiente e exerce grande influência sobre o mesmo?? Vou parar por aqui não por parca contra-argumentação, mas para que outros comentários também fiquem visíveis e caibam nesta página.

 

 

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